sábado, 20 de agosto de 2011

Capitulo 6 - Velhas amizades aparecem.

Eu sei, Dei a minha palavra que não iria a lugar nenhum, porem, não quero ficar em um lugar onde tem alguém que não me respeita, ainda mais quando eu sou obrigado a ajuda-la.Me senti obrigado a deixa-los, eu era apenas um peso não? Espero que Gabriel entenda a mensagem que eu deixei no bolso da jaqueta, se ele encontrar e compreender, nós iremos nos encontrar em breve.
12:40 da noite,o velocímetro marcava 260 km/h na interestadual do qual eu dirigia,eu amo esse carro, um Mustang preto, 358 cavalos, havia achado ele a alguns dias enquanto fugia de um bando de zumbis,sim eu lembrei a rua.
O carro é muito veloz, mantendo o ritmo eu chegarei em São Paulo apenas algumas horas.A musica dentro do carro era bastante alta, não me importava de chamar atenção desses seres repugnantes, se me avistarem,não conseguirão chegar nem perto do carro a velocidade que eu estou, senti a pele do meu rosto se esticando em um sorriso, eu sentia um prazer gigantesco em estar em alta velocidade.
Desliguei a musica do Aparelho do carro e coloquei na frequência 87.1 AM do radio, a mensagem era a mesma,sempre repetitiva.
“Ainda existem sobreviventes no mundo inteiro, possuímos uma colónia no interior de São Paulo, oferecemos abrigo, comida e segurança, nossa população é de aproximadamente 2 pessoas por metro quadrado, esta mensagem é para qualquer humano refugiado nos cantos mais grotescos do nosso planeta, estamos vivos, estamos aqui, estamos esperando.Repito…Ainda existem Sobrev…” Mudei para a musica de um CD que eu havia roubado antes de partir para minha viagem, sabia praticamente de cor a mensagem daquela frequência, não havia necessidade de ouvi-la novamente.
Pisei no freio do carro com violência, impossível, repeti para mim mesmo, peguei duas mini metralhadoras e com uma em cada mão e sai do carro em direção a garota que estava no meio do asfalto,a única luz era dos faróis que saiam do Mustang, ela estava sentada abraçando suas pernas, eles não conseguem ficar desta forma,seus músculos atrofiam quando transformados o que os impede de dobrar a perna de tal forma,por isso eles andam mancando.
Cheguei perto da garota e apontei a arma para ela.
- o que você esta fazendo aqui? – Falei assustado, era uma interestadual, havia uma cidade a alguns quilómetros porem já deveria ter sido desimada por causa da praga.
- Olá? Quem é você? – Falei e novamente não tive resposta.
Cheguei mais perto da garota e fiquei desesperado, não era uma garota,era uma boneca de pano, parecia uma criança, uma garota para ser mais exato, fiquei apavorado, uma armadilha? Não,eles não eram tão inteligentes para chegar a este ponto, e mesmo se fosse, como saberiam que eu estaria passando pela interestadual neste exato momento?
Em poucos segundos eu estava cercado,aproximadamente 20 homens,nenhum zumbi, em cima do meu mustang havia um homem,30 anos no máximo, seu corte de cabelo era um moicano, estava sem camisa, seu corpo era cheio de tatuagens e feridas, porem,como os outros, não tinha nenhum sinal de ser um morto-vivo.
Dois me atacaram com bastões de ferro, apontei as mini metralhadoras para eles e ambos pararam, tirei a trava de segurança e olhei para o que estava em cima do carro, que eu deduzi ser o líder.
- Oque vocês querem? – Falei olhando para o líder punk.
- Queremos você, usaremos você como nosso combustível. – seu rosto abriu um meio sorriso satânico, semelhante com o que o Gabriel projetava em seu rosto.
-Me deixem ir recebi uma mensagem estou indo para uma colonia em São Paulo.
- Cale a boca, vejo que você utiliza armas de fogo, renda-se sem lutar e a sua morte sera rápida e indolor. – Falou fazendo sinal para os outros atacarem.
Me joguei no chão atirando em todos os que chegavam perto, mesmo possuindo duas mini metralhadoras seria difícil sair ileso de uma briga contra 20 homens, havia derrubado 5 homens quando um bastão de ferro foi lançado na minha cabeça e eu fiquei inconsciente.
Acordei deitado em uma jaula, em uma especie de acampamento,haviam em torno de 30 jaulas que estavam em volta de uma fogueira, a única iluminação do local, todas as jaulas tinham alguma pessoa,duas jaulas possuíam um infectado em cada, havia uma casa de madeira grande onde vários punks entravam e saiam,pelo local percebi que era única forma de entrar e sair deste grande circulo macabro.
- Onde eu estou? – Sussurrei para mim mesmo.
- caísse numa arapuca garoto. – Falou um homem,de aproximadamente 40 anos, que estava preso na jaula ao meu lado.Pelo seu sotaque deduzi que era gaúcho.
- Oque eles querem com agente? – Falei me levantando e olhando para ele, possuía uma barba rala, suas roupas estavam rasgadas,como se estivesse a muito tempo preso naquela jaula.
- Eles acreditam que a carne humana os deixam imunes a infecção. – Falou com um olhar reflexivo, aquele tipico de quando a morte esta próxima.- Eles aproveitam o sinal da colonia que tem em são paulo e a maioria das pessoas que vem do sul em direção a são paulo passam por esta interestadual acabam sendo pegas em uma armadilha, só por terem compaixão. – Lembrei da boneca de pano. – Eles mataram a minha filha. – Seus olhos mudaram de tristeza para ódio de uma forma muito rápida.
Neste meio segundo cerca de seis punks sairam da sala, o punk que estava em cima do meu Mustang estava entre eles, passaram pela minha jaula me encarando e abriram a jaula do senhor que estava ao meu lado.
- Ta na hora de morrer velhote. – Falou o líder.
- Vocês vão arder no inferno! – Gritou meu vizinho enquanto era espancado até perder a consciência.
Fiquei horrorizado com a cena,seu sangue começou a escorrer no chão, gotas quentes saídas do corpo dele pingaram no meu rosto, ouvi seus ossos partindo, a vida sumindo dos seus olhos,mesmo eu tentando, não conseguia retirar minha visão daquela covardia.
- Não tem coragem de lutarem sozinhos! precisam atacar em grupo! – Gritei me apoiando na jaula.
A resposta que eu tive foi um soco, mirara no meu rosto, porem eu fui rápido, desviei do seu punho e puxei seu braço para o lado forçando-o contra a grade, quebrando o mesmo, o líder solta um urro de dor.
Eles sairam arrastando o corpo do homem de 40 anos levando ele para uma fogueira, fatiaram suas pernas e passaram a assar sua carne,meu deus, pensei comigo mesmo.
Em meio a aquele tumulto avistei em uma outra jaula, uma garota,aquele rosto, tive um pulso de energia percorrendo no meu corpo e comecei a gritar:
- Giovanna! Giovanna!
Seus olhos azuis vieram ao meu encontro, percebi que ela me reconheceu, porem tudo oque demonstrou foi um meio sorriso, suas roupas estavam sujas e rasgadas, seu rosto estava arranhado e cansado, pela sua aparência deduzi que ela estaria naquele local a muito tempo.
Tinha que sair dali, não podia simplesmente ficar preso e esperar virar a próxima refeição,olhei para a fechadura, estava um pouco velha, mesmo assim parecia que iria suportar qualquer coisa que eu viesse a fazer contra ela, olhei ao redor da minha jaula, não havia nada que eu pudesse usar para tentar abrir aquela cela, o chão era de terra porem seria impossível fazer uma passagem sem que eles percebessem, olhei para cima, as grades da jaula na parte de cima estavam enferrujadas, pulei e me segurei nas grades forçando as para baixo, ouve um barulho leve do ferro,porem acredito que não daria de fazer uma abertura, capaz que uma jaula iria me deter, porem se eu tentar sair com tantos deles em volta de mim, certamente acabarei sendo morto, por isso, sentei-me no chão e esperei o tempo passar, aproveitei que estava sem alternativa nenhuma senão esperar e descansei um pouco.
Quando acordei já era meio-dia, pois o sol estava bem no meio do céu azul, quase sem nuvens, meu rosto estava queimado, minhas costas doíam e eu estava sonso por causa do sol, levantei-me apoiando meu corpo nas grades e olhei ao redor.
Só havia um punk sentado olhando para as grades, ele estava com uma de minhas mini metralhadoras em sua cintura, certamente era o vigia, de alguma forma deveria usa-lo para sair daqui.
- Ai!Curte ACDC? – Falei tentando puxar conversa com ele.
Ele não fez nada, simplesmente fez uma cara de desentendido e virou o rosto para os jaulas do lado oposto,me perguntei se ele estaria olhando para Giovanna dormindo do outro lado da fogueira.
Entraram mais dois punks carregando uma criança, uma garota de aproximadamente 6 ou 7 anos, e o jogaram dentro da jaula do antigo senhor de 40 anos, mesmo com o sangue. Ela estava desacordada com seu próprio sangue escorrendo na parte superior da sua cabeça, não identifiquei o lugar do ferimento por causa do excesso do sangue, porem pela quantidade, deveria ser profundo,ou ela estaria sangrando a horas.
Os dois que apareceram falaram algo para o que estava de vigia e seguiram para a grande casa de madeira
O vigia olhou para a criança caída ao meu lado deu 6 passos lentos até se apoiar na grade que prendia a garota.
- que bom, a carne das crianças são macias. – Falou abrindo um sorriso no rosto.
Senti uma onda de fúria percorrer meu corpo, coloquei a mão para fora da grade com o intuito de agarra-lo porem foi inútil.
- Oque foi playboy? Ficou com raivinha? Quer proteger a criança? – Ele falou em meio as gargalhadas. – atrás destas grades você não é nada - falou apontando a mini metralhadora para minha cabeça, sabia que ele não iria atirar pois não havia retirado a trava de segurança.
Soltou uma pequena risada e colocou a mini metralhadora na cintura novamente.
- Você vai ser o primeiro que eu vou matar quando eu sair daqui. – sussurrei alto o suficiente para ele ouvir.
Ele olhou para mim com um sorriso familiar no rosto, o mesmo sorriso que o Gabriel tinha quando portava uma arma, o mesmo sorriso que o Gabriel tinha quando estava matando os infectados, o Punk estava louco, tão louco quanto meu amigo.
O punk colocou seus dedos envolta da minha grade e encostou seu rosto entre as grades que suas mãos seguravam, em uma fração de segundo consegui calcular a força necessária para poder quebrar o pescoço dele, porem não tinha certeza se depois de mata-lo eu conseguiria ter tempo o suficiente para abrir a minha cela, abrir a cela da Giovanna e libertar a criança, libertar todos os prisioneiros sem fazer um tumulto seria praticamente impossível.
- Mas você não vai conseguir sair verme. – Ele sussurrou com o sorriso no rosto.
Coloquei a minha mão sobre sua cabeça e com toda a minha força puxei, através do moicano, sua cabeça para dentro da cela, suas orelhas rasgaram e, em meio aos gritos dele,sua cabeça entrou completamente, seus sangue escorreu pela grade, dessa vez eu abri o sorriso.
- Não preciso sair para te matar.
Apoiei meu pé na lateral da jaula e pulei caindo sobre a cabeça do infeliz quebrando o pescoço dele.
Seu corpo ficou mole,preso pela sua cabeça através da grade, olhei rapidamente para o outro lado da fogueira, apagada e cheia dos restos mortais de vários humanos, Giovanna me olhava com um meio sorriso no rosto,seu olhar ainda não tinha o brilho que eu lembro que tinha antigamente, porem ela estava um pouco mais feliz.
Puxei o corpo do punk sem vida com o intuito de procurar a chave, porem falhei em encontra-la,peguei a mini metralhadora em sua cintura e efetuei 3 disparos na fechadura, a porta se abriu rapidamente,os prisioneiros começaram a gritar pela minha ajuda e eu sai as pressas da jaula, sem hesitar, atirei na fechadura da jaula de Giovanna, que já estava de pé.
Ouvi passos se aproximando de dentro da casa, não sabia quanto de munição esta arma possuía, não podia arriscar em um combate direto, ainda mais que ele deveriam possuir suas próprias armas.
Olhei para jaula da criança, ela havia acordado com os disparos de minha arma, estava chorando assustada, os primeiros punks apareceram na porta da casa, a tirei na direção deles e eles voltaram para dentro tentando se proteger, passei a abrir todas as celas que estavam em minha frente,alternando entre os tiros mirando nos punks e os tiros mirando nas fechaduras das jaulas.
Em pouco tempo eu havia libertado todos os presos que eu consegui visualizar, a garotinha havia se perdido em meio ao tumulto.
- A Marina,o Guilherme e a Bee estão lá dentro! – Giovanna me disse em meio a confusão.
Os rostos dos meus amigos desde antes da infecção passaram por minha cabeça, o do Guilherme, com seus cabelos um pouco grandes e seus olhos tão escuros quanto os meus, da Gabriela Martini, cuja a cor do cabelo é imprevisível, e da Marina, a gordinha mais simpática que eu conheci. Que porra é essa? Reunião do colegial?
Um homem enorme, os músculos do seu corpo eram assustadoramente grandes, careca e com uma cicatriz no seu olho esquerdo que parecia ser cego, apareceu atras de mim e levantou Giovanna, por um segundo pensei que ele iria joga-la contra os punks, mas tudo que ele fez foi coloca-la em cima das celas e dizer para ela sair dali e ir para um local seguro.
- Vamos salvar os seus amigos. – Disse o Pseudo-gigante
Os punks vieram com pedaços de madeiras e varias coisas, o Grandão ia se defendendo de todos e ainda conseguia me proteger, achei incrível eles quebrarem um pedaço de madeira em seu braço e ele continuar como se não sentisse dor alguma.
Algumas pessoas que estavam em meio ao tumulto foram nos seguindo e nos apoiando contra os punks, cheguei próximo a um que estava em frente a porta, ele apontava a minha outra mini metralhadora para mim,por puro impulso apontei a minha arma descarregada para ele,aconteceu uma cena um tanto ilaria, antes de eu puxar o gatilho e lembrar que minha arma estava descarregada o punk de cabelo roxo pulou para o outro lado da porta com o intuito de se proteger e praticamente jogou a outra arma em meus pés, peguei minha segunda mini metralhadora e, com um tiro em sua cabeça, matei o medroso. Descemos as escadas correndo, o grandão sabia o caminho para o “calabouço”.
Derrubamos mais alguns punks que apareceram pelo caminho, pouquíssimos possuíam armas com munição, alguns tinham porem eram só para intimidar.
Chegando lá fiquei chocado com a minha visão, pessoas em estados incrivelmente degradantes, tinha mais 6 pessoas presas, porem essas não estavam somente trancadas dentro de jaulas, também estavam pressos pelos seus pulsos nas paredes do calabouço, avistei o guilherme, seus cabelos estavam mais curtos do que eu lembrara, estavam sem corte e ainda estavam grandes, ele estava desmaiado, suspenso pelos seus braços presos a parede, do outro lado da saleta Martini estava agonizando, gemendo, e gritando de dor, a principio não entendi o porque de seu sofrimento, ela estava tão acabada quanto o guilherme porem nada parecia doer em seu corpo, alguma doença talvez?
- Douglas? – Ouvi uma voz rouca,dolorosa e triste, porem familiar.
-Marina? – Virei-me na direção da voz.
Ela estava muito mais magra, seus rosto estava machucado, seus cabelos bagunçados,na mesma situação que os outros,porem estava acordada e não aparentava sentir uma dor tão intensa quanto a Gabriela.
Sem hesitar atirei na fechadura abrindo a porta, segui para as correntes que prendiam-na e ela desmoronou em cima de mim, não conseguia se manter de pé sozinha, teríamos problemas para carregar eles.
- Abre as outras celas, eu consigo carregar os 3 mas vou precisar que vc me de cobertura contra esses malditos. – Falou o grandão pegando a minha amiga no colo.
Abri a cela da Gabriela e a libertei, sempre correndo, também abri a cela de guilherme e o Grandão colocou eles em cada ombro, concordamos um para o outro e partimos para a saída mais próxima. Não libertei os outros porque o meu ato de compaixão poderia custar a vida de nós 5.
Atirava em todos os que chegavam perto de nos,a quantidade de punk foi diminuindo rapidamente quando percebemos estávamos do lado de fora da casa novamente, porem, desta vez estávamos do outro lado, o lado que dava para estrada.
Olhei para traz e vi giovanna pulando de jaula em jaula e correndo em nossa direção por cima da casa.
Sem Hesitar ela saltou de uma altura de quase 3 metros, me assustei com sua atitude, em um momento para tentar protege-la tentei segura-la em pleno ar porem tudo que aconteceu foi ela cair em cima de mim.
- é um infeliz mesmo né? Eu iria conseguir. – Falou ela com um sorriso no rosto, como se fosse a alguns anos onde nós ficávamos fazendo bobagens na frente do colégio.
Nos levantamos rapidamente e saímos em direção a alguns carros que encontramos estacionados perto da casa.
Meu Mustang estava lá, como eu me lembrava de te-lo deixado, entrei dentro do carro, virei a chave e o ronco do seu motor fez Marina olhar para a minha direção.
O grandão colocou os feridos no banco traseiro junto com Giovanna e ele sentou no banco ao meu lado.
- sabes dirigir criança? – Falou com um meio sorriso no rosto.
- Melhor que muitos… melhor que muitos.. – Falei soltando uma gargalhada e cavando com o carro na segunda marcha.
Passado algum tempo de viagem, já todos estávamos mais calmos, Marina já estava descansada e Giovanna cuidava dos ferimentos do Guilherme e da Gabriela com Aguá oxigenada, ataduras e alguns analgésicos que eu havia deixado no porta-luvas antes de ser sequestrado.
- Estamos indo para a colonia? – Disse Marina no banco traseiro.
- Sim – Falei, não tinha força para abrir uma conversa construtiva, meu corpo doía, estava cansado, meus olhos estavam trémulos e eu não conseguia fechar a minha mão envolta do volante.
- Queres que eu dirija? Para você dormir um pouco. – Disse o grandão percebendo meu esforço.
- Adoraria. – Falei me rendendo ao cansaço.

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