Acordei como um dia qualquer, exceto pelo fato que era o primeiro dia das minhas ferias e eu ia para droga de um acampamento militar, não iria treinar as ferias inteira, nunca ouvi falar de um acampamento militar em Florianópolis, mas meu pai, ele conseguia tudo, só pelo simples fato de eu quase rodar este ano eu tenho que ir para droga de um acampamento militar, ele diz que eu dou valor demais para o kickboxing e pouco valor aos estudos, é meu esporte pocha.
Como sempre, descarregava minha raiva no saco de pancadas que eu tinha no meu quarto, se eu levantasse a voz para o meu pai mais uma unica vez, ele certamente iria subornar os monitores para eles pegarem mais pesado comigo.
- David, venha aqui agora. - A voz de meu pai saia do andar de baixo, arrogante, autoritária e nojenta como sempre.
Não respondi, muito menos sai do lugar, continuei a socar o saco de pancadas que ficava preso ao teto, minha mão estava doendo, mais a raiva não me deixava parar, a cada chute que eu dava, minha canela latejava,em cada soco, uma descarga dolorosa percorria o meu braço, estava batendo naquilo fazia horas sem nenhum tipo de proteção.
Ouvi os passos do meu pai na escada, peguei meu ipod no criado mudo, coloquei ele para tocar uma musica bem alta em meus ouvidos e voltei a bater no saco de pancadas para que meu pai não suspeitasse que eu deixei de obedecer ao comando dele.
Ao mesmo momento que eu dava um soco, a porta do meu quarto de abriu em um estrondo,mesmo sem escutar nada, conseguia perceber os gritos do meu pai, tirei o fone.
-...me obedece?por que tu não me obedece? levas uma vida de vagabundo, tira notas horríveis,tu quase roda de ano! só fazes alguma coisa quando eu te ameaço tirar o kickboxing, não faz nada em casa, não faz nada no colégio, só quer treinar,só quer treinar.
- Pai, também não é assim, você é muito duro comigo, eu só tenho 15 an...
- Cale a boca! vá tomar banho, eu falei para você ficar pronto a meia hora, tais todo suado, vais para o acampamento para ver se cria bons modos e eu vou fazer questão de que você aprenda alguma coisa.
Neste momento, percebi que ele ou iria subornar os monitores ou já havia subornado, eu iria apanhar naquele acampamento, ele achava que bater ensina alguma coisa, o desgraçado não tem nem coragem de bater com as próprias mãos.
Passado alguns minutos, eu, já de banho tomado, esperava na porta junto com uma unica e minuscula mala, que provavelmente só possuía cuecas, para os 4 meses de ferias,o meu pai estava terminando uma ligação,minhas mãos doíam.
- estarei na reunião uma hora, não me importo se ele não quer esperar, tenho que assegurar que o David vai chagar mesmo naquele acampamento, se ele tentar fugir de novo, não sei do que eu sou capaz de fazer, Obrigado Luisa, David,deixe esse Ipod aqui, se você não quer que eu quebre ele.
Obedeci ele e entramos no Mercedes-Benz CL65 AMG do meu pai, e seguimos para o acampamento, uma palavrinha sobre o meu pai, 47 anos, multi-milionário, dono da maior siderúrgica do Brasil, acha que tudo pode se resolver com dinheiro, pelo seu jeito arrogante só possui amigos interesseiros, nos mudamos para Florianópolis depois da morte de minha mãe a 8 anos, ele controlava a impresa dele daqui de Floripa, e esta reunião que ele havia comentado no telefone, provavelmente seria em São Paulo.
Alguns minutos andando de carro e ele para em frente ao Acampamento, saiu e foi falar com o diretor,rodeado por soldados de entre 15 e 20 anos de idade, que o aguardava em frente ao portão principal, peguei minha pequena mala, sai do carro e avistei meu pai entregando um bolo de notas de cem para o diretor do acampamento, desgraçado, esta pagando para baterem no próprio filho.
Peguei minha mala, que era menor que a mochila do qual eu usava para ir pra aula, e segui na direção deles.
- Entendido senhor Folks, vamos colocar seu filho na linha. - falou o diretor.
- Só vai de leve, ele tem uns ataques de raiva, e sai quebrando tudo, vai ser preciso uns 5 ou 6 garotos para segura-lo, ele faz kickboxing e é bem forte.- eu não dava surtos de raiva, quando ficava irritado ou deprimido, eu sumia ou, quando não dava para sumir, descontava a raiva na parede ou no meu saco de pancadas, este foi o jeito de ele disser a quantidade de homens para conseguirem me vencer em uma briga, nunca de o primeiro tapa, lute apenas para sobreviver, não tenha prazer em ver os outros sofrerem. lembrava das ultimas palavras da minha mãe antes de seu coração parar, meu pai se virou e foi andando calmamente para o carro.
- tchau pai, até daqui a 4 meses, desculpe-me por tudo, eu só tento ser o meu melhor, prometo que eu vou tentar ser como o senhor, Adeus pai. - Meus olhos saibam lagrimas, eu definitivamente não queria estar naquele local, eu definitivamente odiava ter que chegar ao ponto do meu próprio pai mandar alguém me bater, eu definitivamente odiava não conseguir fazer o meu pai ter orgulho de mim.
- Você pede desculpas porem nunca muda. - Seu tom de voz ainda era repreensivo, sem orgulho.
Ele saiu sem nem almenos olhar para traz, sem nem dizer um tchau, se eu soubesse que aquela era a ultima vez que eu iria ver o meu pai, eu teria dado um ultimo abraço nele, mesmo sabendo que ele estava errado, mesmo sabendo que ele poderia ter sido um pai muito melhor, menos rígido, mais presente, menos durão, eu teria abraçado ele e gritado “eu te amo”.
Passamos pelo dormitório, beliches de ferro, colchões finos e duros, quase como dormir no chão, sem travesseiro.
- Coloque as suas coisas e vamos novato, não quero que eles briguem com você por chegarmos atrasados, seu pai é cruel, entregou quase 2 mil reais em dinheiro para o diretor, só para eles te punirem da forma mais pesada o possível. - disse um soldado com uma cicatriz de corte no meio da bochecha esquerda que estava me mostrando a minha cama, ele tinha um meio sorriso no rosto. - Meu nome é Marcos,Prazer,a parte de baixo deste beliche é minha, mexi uns pauzinhos para colocar você perto de mim, cara, senti pena quando seu pai disse,podem bater o quanto quiser, nossa, e eu que achei que tinha um pai horrível. - Marcos falou com um sorriso sem graça,gostei dele. - você é? - disse ele estendendo a mão para me cumprimentar, ele era largo, parecia bastante forte, sua postura demonstrava algum tipo de luta, não conseguia identificar mas ele praticava alguma, certamente, em uma briga, ele daria trabalho até para mim.
- David, prazer, seu pai também te odeia? - Com um sorriso no rosto,respondi já apertando a mão dele, ele seria um bom aliado.
- sim, ele também me odeia e eu odeio ele, tudo que eu faço parece não ser o suficiente. - este também é o meu caso, porem eu ainda amo o meu pai, pensei. - ele me colocou aqui porque eu fugia muito de casa, aqui, se você foge, eles te encontram, te algemam, te torturam na frente de todo mundo e depois te jogam na solitária. - pelo seu olhar deduzi que ele já havia passado por isso. - melhor você andar na linha, eles já torturam os que cometem poucos erros, quem dera os que o pai paga para bater. Vou fazer oque eu puder para te ajudar,não gosto de ver gente inocente apanhando,sou o monitor do primeiro ano, apanhei muito até chegar aqui, acho que consigo aliviar um pouco para você,agora temos que ir, se não você vai apanhar feio no seu primeiro dia.
Seguimos até o salão principal, era bom já ter alguém com quem conversar, ainda mais quando ele disse que iria tentar me ajudar, sentei em no fundo de uma mesa gigantesca que Marcos me aconselhou a sentar, todas as mesas estavam em silencio, todas elas os "soldados" possuíam postura, seus cabelos estavam raspados e todos estavam de farda,todos, a minha era a que os alunos estavam cansados, machucados, ou simplesmente com a expressão facial tristonha.
Apareceu em frente das mesas, em cima de uma especie de palco, um homem, de aparentemente 40,50 anos com a cabeça raspada, os curtos fios de cabelo eram grisalhos, tinha uma cicatriz enorme no rosto, desde o queixo até o começo do olho direito, ele me encarou, e andou na minha direção, seguido por um brutamonte maior que eu e Marcos juntos.
- Folks? - ele olhou, seu olhar era tão arrogante quanto o do meu pai, mas ele, ele eu não amava.
- sim. - respondi sem me levantar,encarando-o, escutei um "ele não vai durar nem uma semana" vindo da mesa perto do "palco", a mesma mesa que Marcos sentou, deduzi que era dos monitores.
- Não, ele não dura nem dois dias Soldados, Folks, é sim...senhor - falou colocando seu rosto perto do meu. - toda vez que algum superior se dirigir a um soldado, o soldado deve ficar de pé e fazer continência, em circunstancias normais você estaria na solitária agora,apanhando...
- senhor este é o primeiro dia dele, ele não sabia. - ouvi a voz de Marcos vindo da mesa dos monitores.
- eu sei, ele é um de seus homens cabo Williams, trate de coloca-lo na linha. - olhei para traz e Marcos estava de pé.
- Levante, soldado, e demonstre alguns respeito pelo seu superior, antes que eu mesmo seja obrigado a joga-lo na solitária. - olhei para ele surpreso, ele não parecia a mesma pessoa que havia conversado comigo, assim que nos encaramos seu olhar mudou de líder para amigo, como se ele pedisse desculpas.
Levantei-me e fiz as devidas continências, seguido de um desculpe-me senhor, não queria que o Marcos se desse mal por minha causa, O "meu superior" fez um olhar de desgosto.
- Este é David Folks, novo Soldado, ele agora é da divisão 15 sub-divisão 3 na ala 2. - Ele começou a andar e o brutamonte que o seguia, me deu um soco no nariz, cai sobre a mesa com o nariz sangrando, normalmente eu iria quebrar a cara daquele desgraçado, porem, todos, acredito eu, iriam começar a me espancar.
- belo soco,Soldado Perreira.
- Obrigado, Senhor.
O resto do dia foi uma droga, tive que raspar o meu cabelo, que participar de um treinamento com uma farda pesada e muito quente, qualquer coisa que eu fazia, eles vinham e logo me batiam, a comida era nojenta e quando eu já estava exausto, lá pelas 19:30 fui colocado para lavar os banheiros.
Estava lavando o banheiro calmamente, enfim um pouco de paz, quando de repente, entram 5 soldados, dois me seguram por um braço, dois por outro e me prensam na parede.
- e ai verme? - Perreira, o cara que me deu um soco no nariz no começo do dia.
- oque foi que eu fiz agora? - perguntei,mas já sabia que eu iria apanhar por causa do dinheiro do meu pai.
- ordens da direção. - Falou dando um soco na boca do meu estomago, eu poderia derrubar todos, eu poderia enfiar a cabeça de cada um na privada, mas mais tarde eu iria apanhar mais, então aceitei como um bom covarde...
assinado: David Folks
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