Avistei pelo Vidro o Fiat punto de antes seguindo em direção a entrada do supermercado, enquanto pelo reflexo do mesmo, eu conseguia ver o David se aproximando, não, ele não era mais o David.
O Fiat não parava, avistei o Alceu no volante, meu coração pulsava de uma forma alucinada, vi o reflexo do David pulando sobre mim, me virei e dei-lhe um chute no meio do rosto do meu amigo, ou Ex-amigo, ele caiu com o rosto no chão, devia chutar a sua cabeça, porem não tinha coragem para ferir ele.Passe a correr em direção do carro que agora estava parado, Alceu estava correndo na direção do supermercado e o Mutuka agora estava no volante, lembrei que este supermercado possuía os vidros espelhados, ele não estava me vendo.
- Não entra aqui! Se você entrar nós dois estamos mortos, Fica no carro. – gritei com força o suficiente para ficar sem folego.
Alceu, ouvindo o meu grito, virou-se e foi correndo novamente para o carro, puxei a porta que nós arrombamos e segurei na esperança do David não sair.
- oque você esta fazendo? Cade o Igor? – Falou Alceu, seu tom de voz era preocupado.
A porta começou a tremer fortemente, rugidos raivosos passaram a sair do outro lado,Meu deus eu estava amedrontado.
-o Igor esta morto,foi atacado pelo maior bando que eu já vi. – minha voz saia fraca devido a força que eu aplicava na massa-neta.
- então esse que esta atras da porta é o líder? – Falou já me ajudando a segurar a porta.
-sim, como você sabe?
- nunca te vi tão apavorado. – Falou Alceu fazendo uma careta enquanto me ajudava a segurar a porta que cada vez ficava mais difícil de segurar.
Mutuka acelerou o carro e veio em direção a nos rapidamente, posicionou o carro de lado e abriu a porta traseira e a porta dianteira.
- Quando puderem largar,só pular aqui dentro que eu já arranco. – falou engatando a marcha aumentando a rotação do motor.
Puta que pariu, o Mutuka é barbeiro pra caramba. Pensei comigo mesmo, tentando desviar a minha atenção do fato de que o zumbi que estava tentando me matar, era um grande amigo.
A porta sacudia contra nós, quando Derrepente parrou, eu e o Alceu olhamos um para o outro e ao mesmo tempo pulamos dentro do carro, eu na frente e ele no banco traseiro, assim que largamos a porta se abriu saindo de lá o David com o rosto em fúria, mas já estávamos a 60 km/h com aquele Fiat, ele correu atras do carro, com muita velocidade, porem não foi capaz de nos acompanhar.
- mais que porr…aquele era o David? – os olhos de Alceu pareciam chocados,ainda calmos,porem chocados.
- aham, de algum jeito, o vírus se adaptou a ele de uma tal forma, que ele é capaz de conduzir um bando de mais de 30 zumbis. – falei com a voz e o corpo tremendo, depois da descarga de adrenalina, vinha o nervosismo.
- isso é loucura, como? um bando de Trinta? Nossa, temos problemas. Vocês tem certeza era o nosso David? – Mutuka parecia surpreso.
- sim, tenho, o rosto era o mesmo, as cicatrizes, o olhar, mesmo que o olho esteja mais claro, ele ainda possui o mesmo olhar. Aquele olhar de que esta pensando em mil coisas ao mesmo tempo. – estava ficando com saudade dele, pode parecer loucura, mas foi bom ver ele, pelo menos, por uma ultima vez, mesmo naquele estado.
- não podemos ir para o colégio, se há um líder tão próximo a nós ele pode nos seguir. – disse o Alceu.
- concordo, vamos passar em mais delegacias procurando munição. – Falou Mutuka olhando para mim, esperando a minha aceitação, ele tira o olho da estrada, por isso que ele vive batendo.
- por mim tudo bem, mais olha pra estrada pow. – Falei ficando nervoso com o seu olhar.
Ele aceitou minha repreensão e continuou a pilotar calmamente.
Estávamos a 60 km/h nossa como ele pilotava devagar. Uma pista sem carros, os únicos obstáculos eram os zumbis que por ali pairavam. E ele dirigindo a 60 km/h, nossa que droga.
Paramos em uma delegacia com dois andares, tinha uma viatura na frente,abandonado, tudo aquilo estava abandonado, afinal nós eramos os únicos sobreviventes desde que este apocalipse começou, nada contra, eu amei que isso tudo tenha acontecido, se nada disso acontecesse, eu ainda estaria estudando para passar em um vestibular de designer informático e não teria nenhuma experiencia com armas de fogo.
Peguei um cabo de vassoura e sai, fui o primeiro a saltar do carro,sem olhar para traz, fui na ponta dos pés até a porta, abri ela devagar e olhei para dentro,o cheiro de carne podre invadiu as minhas narinas, havia apenas um cadáver sentado em um sofá, fiz sinal para os outros me seguirem e entrei, segui calmamente apesar do fedor, meus passos eram inaudíveis pelo menos para alguem em suas capacidades auditivas normais, mais eles, eles sempre eram melhores nesse sentido que agente.
Olhei para a escada, estava corroída pelos cupins, porem aparentemente não havia sinal de zumbis,Alceu e o Mutuka entraram e sentei-me ao lado do cadáver do delegado.
-Pela aparência do nosso amigo aqui, ele já esta em decomposição a umas 4 semanas, ele é o único sinal de vida, ou era antes de morrer. – falei com um sorriso sarcástico no rosto, estava acostumado com mortes em volta de mim, se eu ficasse chateado com a morte do Igor, certamente eu seria o próximo, claro, ele era um companheiro,então, meus pêsames para ele, porem só isso.
- Claro, nosso amigo, sei. – a voz do Mutuka soou pelo interior da delegacia em tom irônico, seguida de uma gargalhada do Alceu.
-Vamos, temos que sermos rápido, ainda podemos estar sendo seguidos.
Derrepente, a cabeça do defunto ao meu lado se move a minha direção.
- Meu santo cristo. – Mutuka deixa escapar seu espanto. – hoje é o dia.
O demônio tentou me morder, porem eu fui rápido e acertei-lhe um soco no meio do seu nariz, que começou a jorrar sangue de uma forma assustadora.
Levantei-me girando rapidamente, peguei o cabo de vassoura e acertei-lhe uma cacetada no estilo Gabriel, ele caiu completamente no chão, tentou se levantar porem não conseguiu,e foi se arrastando em minha direção.
- oque é isso?ele não sabe andar? Qual é? – Falei chutando a cabeça do infeliz.
- não sei, talvez seja porque ele não tenha pernas? – ouvi a voz irônica do Alceu vindo da porta.
Ele tinha razão, o Zumbi policial não possuía suas pernas, aparentemente elas haviam sido arrancadas a força, dilacerando os musculos do infeliz.
Ele se arrastou em minha direção, dei-lhe outro chute na cabeça, porem este ele segurou a minha perna com as duas mãos.Gritei de uma forma exagerada e comecei a espanca-lo com o cabo de vassoura, sempre tirando a sua boca de perto da minha perna, em cada vassourada que eu lhe acertava o corpo dele expelia mais sangue.
- porque você não matou ele antes? Quisesse ficar brincando com o coitado.Deus castiga. – Alceu falou se aproximando lentamente, filho da pu…
- Cala boca e tira ele de perto de mim – fiz uma pausa para, usando o cabo de vassoura, tirar a boca dele de perto da minha canela. – Não quero ser mordido porra… me ajuda caralho! – os palavrões saiam da minha boca de forma instantânea e expressiva.
Alceu pegou uma faca que possuía e enfincou ela na cabeça do delegado, calmamente, calmo até demais, até mesmo para o Alceu. Peguei o corpo inanimado e coloquei embaixo do sofá e começamos a revistar a delegacia.
No andar de baixo achamos outro revolver e bastante munição, cerca de 300 tiros,porem, somente 45 batiam com os revolveres que nós agora possuíamos, o Mutuka queria pegar o outro revolver para ele, porem, quando o arrancou da minha mão, por não possuir tanta experiencia com armas, deu um tiro acidentalmente no armário, no mesmo armário havia um pouco de munição,cerca de 20 tiros, mais ou menos, então ouve uma serie de disparos, nós nos jogamos no chão, infelizmente um tiro acertou o meu pé, Derrepente uma dor pequena veio do meu dedão e o sangue começou a escorrer em meio ao tênis.
Uma onda de raiva percorreu o meu corpo, alem de dirigir mau,ele não tinha experiencia nenhuma com arma e ainda achava que podia arrancar um revolver da minha mão, dar um tiro avulso, acertar o meu pé e sair barato?
Pulei na direção do Mutuka, minhas mãos envolveram seu pescoço e cai sobre ele pressionando o meu joelho sobre o seu estomago.
- Arrgh… oque foi Gabriel? – a voz do Mutuka saiu dolorosa.
- Porque você fez isso? – Falei irritado.
- Foi sem querer Gabriel, para com isso. – Falou Alceu não se importando com a gravidade da situação e seguindo para o segundo andar da delegacia.
- me larga Gabriel! – Mutuka já estava irritado.
Coloquei mais força no seu pescoço e apertei ainda mais seu estomago com meu joelho, ele soltou um urro de dor e passou a socar a lateral das minhas costelas, a cada soco que ele dava ficava mais difícil respirar, ele era forte, larguei seu pescoço em um momento de dor na minha costela, ele aproveitou a deixa para acertar um soco no meio do meu nariz, meu nariz começou a sangrar, rolamos e desta vez ele que me pressionava no chão, colocou seu joelho sobre meu ombro e passou a socar o meu rosto, em cada soco ele carregava outro, com uns 6 murros na minha cara eu senti o sangue escorrendo no meu rosto, não tinha força para mexer meus braços pois ele estava encima dos meus ombros, então, carreguei toda força que podia em minha perna e dei-lhe uma joelhada nas costas, sua expressão facial foi de dor, ele parou de me socar e frouxou a pressão sobre os meus ombros.
Forcei ele pra cima e o abracei,ficando de pé, pulei jogando-o no chão e usando ele para amortecer o meu impacto.Mutuka soltou um urro de dor.
- Parem as crianças ai em baixo, venham ver uma coisa muito estranha. – Falou o Alceu.
Levantei, Mutuka respirava rapidamente e seu rosto estava contorcido em uma expressão dolorosa.Fiquei de pé e me afastei sem tirar os olhos dele.nenhum de nós deu ouvidos ao Alceu. Ele se levantou sua expressão era furiosa,e passamos a brigar em pé, ele começou com uma serie de socos, eu conseguia desviar com dificuldade e ainda recebia alguns murros, ele deu um murro de esquerda e eu desviei girando para a mesma direção, no fim do giro acertei-lhe um chute na sua canela, sua perna falhou, ele revidou com um soco na boca do meu estomago e um chute na minha perna, minha perna fraquejou porem me mantive de pé, dei-lhe uma serie de socos, ele defendia todos,o Mutuka sempre foi mais forte do que eu, porem, ele não andava tanto com o David quanto a mim, cheguei bem perto dele,dei-lhe um soco no seu abdômen, ele urrou de dor, aproveitei a deixa para aplicar uma técnica de kickboxing que David havia ensinado a mim e ao Eduardo, O Clinch,prendi ele através da meu corpo e comecei a dar uma serie de joelhadas em seu abdômen, uma mais forte que a outra.
Em meio aos gemidos dolorosos de Mutuka, ele, de alguma forma, me deu um soco nas minhas partes intimas, senti a dor subindo no meu estomago,acabei por larga-lo, ele em um movimento rápido foi me dar mais um soco, consegui desviar girando o seu braço e jogando ele no chão comigo por cima dele, caímos ao lado de uma mesinha de escritório, saquei o revolver que estava sobre a mesa e coloquei dentro da mandíbula do Mutuka, eu mesmo havia carregado aquele revolver minutos antes,Engatilhei a arma e com ele parado pelo panico Falei:
- Acho melhor você pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa, do jeito que eu estou, vou ficar feliz de ver a vida apagando nos teus olhos.
- Gabriel…oque você… - Ele não conseguia falar, estava espantado demais com a minha reação.
Meu deus, oque eu estava fazendo, ameaçando um dos meus melhores amigos de morte, oque estava acontecendo comigo.
- oque foi que eu fiz… – Falei largando ele e o ajudando a levantar.
- Desculpa Mutuka, foi mal cara.Passei dos limites. – Falei envergonhado da minha atitude.
- Meu deus, cara, por um segundo achei que você iria me matar mesmo.Cara, Desculpa por ter atirado no teu pé! Não pensei que tivesse doido tanto, foi mal cara. – Ele se desculpava como se nós nem sequer tivéssemos brigado.
-Não doeu,não sei oque deu em mim, eu simplesmente te ataquei. – Falei logo após uma gargalhada.
- As crianças vão vir aqui ou não? – Alceu gritava no segundo andar.
Olhamos um para o outro com aquele sorriso que aparece em uma criança logo apos uma palhaçada feita pelo seu amigo,limpei o meu rosto do sangue que havia escorrido do meu nariz e seguimos para o segundo andar, tomando muito cuidado com os degraus, pois, a madeira estava podre, deixamos as armas em cima da mesa, não achei a necessidade de leva-las para o segundo andar.
Já no segundo andar, olhamos ao redor, nada demais excepto por uma moto, ela era um tanto grande.
- Como é que colocaram este monstro aqui? – Falei em tom de espanto – Alem de ser uma delegacia, daria o maior trabalho trazer uma moto deste porte para o segundo andar.
- Cara, lembro perfeitamente do dia em que eu estava entediado em casa e comecei a procurar sobre motos no Google,descobri muito sobre o motor, sobre a rotação e sobre a estabilidade de uma motocicleta, alem de ver estas coisas,eu achei um artigo especial sobre as motos mais caras vendidas no brasil, A Moto que esta na nossa frente era uma delas,uma Bimota Tesi 3D Carbono, Custa 121.960 reais, ela têm 1100 cilindradas e a maior parte do chassi feito em fibra de carbono. Ela é uma reformulação de um projeto da década de 80 que a empresa italiana fez, A Bimota Tesi 2D que se tornou famosa pela ausência de ligação do sistema de direção à sua suspensão dianteira. Essa belezinha estava no Rank das motos mais caras do Brasil como a terceira colocada.Essa maravilha sobe qualquer coisa, com qualquer um cima dela, o cara mais gordo do mundo conseguiria colocar ela aqui em cima, e sozinho. – Mutuka Falou com um brilho psicopatico no rosto. – confesso que eu estou meio frustado,pois,o sistema eletrônico dela é por pulsos Elétricos, ela não possui fios para evitar que seu sistema operacional não se sobrecarregue, oque deixa impossível nós fazermos uma ligação direta para ficar com ela.
- Não é a por causa da moto que eu chamei vocês aqui, Gabriel, que arma é essa? – Falou Alceu, Apontando para um Rifle que estava em cima da mesa apontado para o lado de fora através de uma janela, a principio não consegui identificar o modelo, pois o chassi estava raspado e a arma estava bastante arranhada.
- Cara, eu não consigo identificar perfeitamente o modelo, porem pelo porte, eu sei que seu calibre é 22 e é bem raro, certa de 630milímetros, deve ser um Rifle CZ ZKM 452 LUX CAL 22LR, é o único deste porte que é vendido aqui no Brasil, é o mais usado em caças – não tinha certeza do que estava falando, mais era provável que fosse este modelo sim, eu tinha que falar o máximo de detalhes sobre a arma, já que o Mutuka sabia tanto sobre aquela moto, eu não iria perder para ele.
- Cara, encosta na arma.
O obedeci encostando com a ponta no dedo no cano da arma, ela estava morna, alguém havia atirado nela a não muito tempo.
- Sera que aquele delegado foi transformado em zumbi a pouco tempo? – Alceu falou ao perceber que eu também achei estranho o cano da arma não estar frio.
- Impossível, ele já estava a umas semanas em decomposição. Parece que tem mais alguém nessa Porra de Florianópolis. – Deixei escapar o espanto com um palavrão,existia mais alguém em meio a tantos zumbis, provavelmente não era uma única pessoa, se fosse este já estaria a beira da loucura, se não já estivesse completamente louco.
Olhei para o lado e soltei uma gargalhada,o Mutuka sentado em cima da moto, passando a mão pelo seu chassi, como se a moto fosse sua namorada, ele estava fazendo um carinho nela.
- Porra cara, já imaginava que você estava carente,mais a este ponto, nossa. – Falei em meio as gargalhadas.
Derrepente escuto o uma arma engatilhando,era o meu revolver, ninguém toca no meu revolver,obviamente era o babaca do Alceu fazendo isso para me irritar, furioso, virei o rosto em direção ao som e o Alceu estava com os olhos arregalados, sua expressão facial era de medo, atras dele,apontando o meu revolver para nuca do meu amigo, estava um cara, de aproximadamente 22 a 25 anos, ele estava irritado.Percebi que o Alceu segurava a sua faca de forma leve, para não demonstra-la para o cara, quando eu tiver a chance, eu pego ela e enfenco na cabeça daquele infeliz.
- quem são vocês? Oque estão fazendo aqui? – A voz do homem era furiosa, ainda mais que a minha depois de ter tomado um tiro na ponta do meu dedão.
- não sabíamos que ainda existiam sobreviventes em Florianópolis, podemos nos unir. – Falou Alceu.
Eu não concordava com Alceu, esse cara não tinha o direito de mecher no meu revolver, porem não iria falar nada, capaz de ele dar um tiro na nuca do Alceu. Em meio segundo, apareceu na porta um outro com o revolver que vimos aqui mesmo em sua mão direita, minha teoria estava certa, temos um casal homossexual nesta delegacia, ele não podia ter pegado o meu revolver.
- Calma Mike, Eles parecem amigos. Vocês são da Spes? – Falou o que apareceu na porta, ele parecia mais velho que o outro, uns 40,50 anos, eles tinham traços semelhantes, poderiam ser parentes, irmãos talvez.
Percebi que o Mutuka iria falar algo como um não, olhei para ele e pisquei meu olho direito, ele entendeu e se calou.
- somos sim, Estava difícil chegar aqui. – Falei jogando verde.
- Viu Mike?Abaixe esta arma, ele receberam nossa mensagem de socorro. – Falou o que estava na porta com um sorriso no rosto,Mike se virou para seu amigo, sem retirar a MINHA arma da nuca do Alceu.
- Jon, são crianças, não pode ser, a Spes não enviaria crianças para um resgate, este sinal, só pode ser falso, não existe nenhuma colonia em são paulo! – Seu tom de voz alterava entre o controlado e o irritado, como se ele não quisesse desrespeitar o mais velho – E bombadinho, acho melhor você sair de cima da minha moto, senão eu estraçalho a cabeça desse teu amigo. – Mutuka obedeceu sem graça.
- Baixe a arma Michelangelo,Mesmo que eles não fossem da Spes, eles são humanos, nós temos que ajudar-nos uns aos outros. – Sua voz saiu autoritária.
Mike obedeceu a ordem, retirou a minha arma da nuca do Alceu, e colocou-a engatilhada encima da escrivaninha.
- Este Revolver, Ele é meu. – Falei em um tom Irritado
- Agora é meu, pirralho. – Senti o olhar de reprovação de Jon nele.
Perdi a cabeça, corri em direção ao Alceu, arranquei-lhe a faca de suas mãos me virei pressionei o Michelangelo na parede, com a faca apertada em seu pescoço, com a outra mão peguei a arma na escrivaninha e apontei para o seu coração.
- Eu tive um dia péssimo,quase morri 4 vezes hoje, vi um grande amigo transformado em zumbi, vi um parceiro servindo de alimento para esses vermes e você acha que eu vou aturar desaforo? Não, não somos desta porcaria de Spes, você fez a sua ameaça, agora eu faço a minha, não me importo com a minha vida, se você me encher mais uma única vez, eu juro,posso até morrer, mais faço questão de estraçalhar seu corpo inteiro.
Percebi que seu amigo apontava o outro revolver para mim, neste mesmo instante ouvi o rifle sendo engatilhado e percebi que o Mutuka apontava para aquele Jon. Como o Mutuka sabia engatilha-lo?
- Você é mesmo muito burro, nem ao menos engatilhou a arma, pirralho. – Michelangelo tinha um sorriso sarcástico no rosto.
- Eu que sou burro? Ou você que colocou o meu revolver engatilhado em cima da escrivaninha? – Falei aumentando o tom de voz no “meu revolver”, eu estava muito puto.
- Calma Gabriel, não vale até agente ter um tiroteio aqui dentro, somos todos seres humanos, podemos lutar juntos contra essa praga. – Alceu dizia calmamente.
- Não vou matar ninguém, só estou passando um aviso.se quisesse matar já teria matado. – Falei virando o rosto para o Alceu, porem, sem tirar a faca nem o revolver do meu amiguinho. – e você. – Falei me virando para Michelangelo novamente. – Posso ser um pirralho para você, mas eu consigo te matar com a maior facilidade, seu pai não te ensinou que a lei da sobrevivência é respeitar os mais fortes? – gritei no rosto dele.
Michelangelo estava com medo, nosso grupo eram de apenas adolescentes, eu sei, porem cada um tinha seu próprio estilo, eu era rápido,não muito ágil porem bastante rápido, tinha uma mira ótima e experiencia com armas, o Mutuka era forte, muito forte e corria como um demônio,porem não tinha quase nada de agilidade, O Alceu era calmo,calmo demais,em horas de total panico ele ajudava todo mundo a pensar com clareza, o Douglas, Ele sabia dirigir de uma forma incrível, era o segundo mais forte do grupo e tinha agilidade de sobra, as garotas, bem, não tenho muito oque dizer delas.
Abaixei a arma e a faca, devolvi a faca para o Alceu, desengatilhei a arma e coloquei ela no meu bolso, Jon continuou a apontar o revolver para mim, assustado e irritado ao mesmo tempo.
- Baixa a porra da arma coroa, se não estouro os teus miolos. – Falou Mutuka,apontando o rifle para o homem de meia idade,o Mutuka estava nervoso, irritado para ser mais exato.
Escutei passos correndo, muitos passos vindo na direção da delegacia. Eles nos encontraram,o David deve ter um olfato muito bem desenvolvido.
Ambos abaixaram as armas ao mesmo tempo, corri em direção a janela,Meu deus, o Bando era ainda maior do que eu havia imaginado, eram muito mais de 30, talvez 150 ou 200, mais 30, nem fudendo.
- Que deus nos ajude. – Deixei escapa meu espanto em um sussurro, porem todos ouviram e foram para a janela.
- Puta que pariu, você disse 30 Gabriel? Isso é muito mais que 30, isso é possível? Como? Como? – Mutuka gritava assutado.
- Eles estão vindo em perfeita sincronia, se não fosse tantos, eu diria que é um bando. – disse Jon, seu tom de voz estava assutado, porem não tanto quanto o Mutuka.
- Não,eles são sim um bando, o cara que controla é um grande amigo meu,ou pelo menos era. – Falei sentindo um nó na garganta.
- isso não é possível, eu…eu… nós vamos morrer! – Michelangelo gritava desesperadamente.
- Nós já estamos mortos – sussurrei – desde quando lutar para para não morrer é estar vivo? Desde quando viver em desespero é viver? – Falei ficando irritado. – Cale a boca e lute como homem. Até que a morte nos separe. – Falei com um sorriso no rosto, até que enfim um pouco de desafio.
- Vamos se ficarmos aqui vamos morrer, temos que sair daqui e lutar em uma areá mais ampla. – Alceu falava calmamente como sempre.
Todos nós saímos em disparada em direção a escada, menos o Mutuka, todos já estavam no andar de baixo, menos eu e o Mutuka.
- Vamos, tais esperando oque? – Falei estranhando sua reação.
- Vou ficar aqui, vou usar o rifle e ajudar vocês daqui da janela.
- Cara, a única saída é a escada, se eles vir para a delegacia, você é um homem morto.
-homem? Cara, não sou um homem ainda, eu só tenho 17 anos, tentamos deixar este detalhe de lado, mais não muda o fato, que a pessoa mais velha do nosso grupo tem 18 anos e esta se transformando em zumbi. – Percebi que ele falava da Kaw,uma lagrima escorreu no rosto do meu amido, ele enxugou-a – cara, todos nós, ainda somos adolescentes, apenas isso. Gabriel, eu vou ficar aqui, vou ajudar vocês, se forem lutar, lutem na minha linha da visão, se forem fugir, fujam naquela direção. – Falou apontando para frente da janela.
- Cale boca, eu fico então,de um jeito de sair…
- Não!eu vou ficar, vocês deem um jeito de sair. – Falou o Mutuka me cortando.
- Pegue o meu revolver, entregue ao Alceu, eu vou ficar, sem mais nem menos, não seja infantil,você é melhor em combate corpo-a-corpo e eu tenho uma mira muito melhor que a sua, você nem sabe engatilhar essa porcaria direito. – Falei com um sorriso no rosto…
Vitor Eduardo Vieira:
Estávamos encostados na porta, não poderíamos ficar muito tempo para que o Gabriel não tenha problemas, temos que sair daqui para que eles nem cheguem a pensar em entrar, porque se eles resolverem vir para a delegacia o Gabriel com certeza morre.
Olhei para o Alceu, não parecia nervoso, ele vem estado assim ultimamente, ele segurava o revolver do Gabriel, totalmente carregado, virei meu rosto e vi Michelangelo, segurando um bastão de alumínio, e seu companheiro,Jon, que aparentava ter 40,50 anos segurando o outro revolver, Todos nós estávamos lutando juntos, mesmo sem conhecer esses dois, vou tentar salva-los, mesmo que aquele verme do Michelangelo tenha apontado a arma para um colega meu, eu vou lutar para salva-lo, Porem, eu devo seguir o plano que eu e o Gabriel decidimos,o Alceu deve chegar no Fiat punto, e eu, bem vai ficar mais fácil fugir se acabarmos de vez com David, uma quantidade tão grande de zumbis e com tão pouca carne humana, eles vão brigar entre si, claro, se não haver ninguém para lidera-los.
Preparei me com o bastão de ferro que eu havia encontrado,fiz o sinal com a cabeça para o Alceu, Rapidamente abri a porta e sai correndo em direção aquele exercito de zumbis, olhei para traz, Alceu seguia correndo para o punto como planejado, porem, Oque aqueles dois estavam fazendo? Michelangelo e o Jon estavam me seguindo, eles deveriam ter seguido o Alceu até o carro, porque?
Virei meu rosto para frente e quase fui mordido por um que pulava na minha direção, porem, um tiro certeiro atravessou a cabeça do infeliz,seu sangue respingou no meu rosto. Olhei para a janela do segundo andar da delegacia, avistei o Gabriel com aquele sorriso satânico no rosto e fazendo um sinal de beleza para mim, ele estava me dando cobertura.
Corria o mais rápido que podia, os dois atras de mim só se distanciavam, Me curvei e acertei um soco com toda a minha força no estomago de um, me assustei com oque aconteceu, meu punho atravessou o infeliz, tudo bem que sua carne já estava podre, mas mesmo assim. Virei-me e, sem retirar o meu punho do infeliz, estourei a cabeça de uma mulher com o bastão de alumínio do qual eu segurava com a outra mão, joguei aquele infeliz no chão e com a minha mão ensanguentada dei um soco em outro, este caiu no chão com os olhos sangrando.
Um enorme, provavelmente tinha o virus adapdo em si, pulou na minha direção porem sua cabeça foi estrassalhada com um tiro certeiro de Gabriel.
Vais ter que engatilhar a arma bem rapidamente, o mais rapido o possivel, meu amigo. Comecei a correr em meio aos zumbis e, como se o Gabriel conseguisse ler os meus pensamentos, eles passaram a cair mortos no chão, a velocidade dos tiros era incrível, se eu não tivesse segurado aquele rifle, diria que o rifle era automático.
Não parei de correr, a cada passo, mais zumbis caiam no chão, nenhum chegava nem perto de mim, eu ia correndo e o Gabriel ia abrindo caminho para mim, quando percebi já estava no meio de um embolorado de zumbis, a única coisa que não deixava eles chegarem perto de mim era o Gabriel, não parei de correr, sempre em direção para o fundo do bando, o Gabriel me guiava abrindo caminho no meio deles, certamente ele havia visto o David.
Olhei rapidamente para traz, e de alguma forma aqueles dois estavam me acompanhando, não estavam tão rápido quando eu, porem, conseguiam me seguir em meio a esses zumbis. Gabriel deu um tiro que passou raspando do meu pé, acertando o chão,parei e olhei para ele, ele me olhava carregando a arma,ele carregava o rifle sem nem ao menos olhar pra o mesmo. Ele deu o tiro perto de mim para eu poder olhar para ele e perceber que ele estava carregando, corri em meio aqueles demônios e esmaguei a cabeça de um, empurrei outro, do nada Michelangelo aparece ao meu lado, acertando a cabeça de um dos grandes que quase me mordeu.
- Fica ligado bombadinho. – ele Falou com um sorriso no rosto.
Acho que nós estávamos do mesmo lado agora, ficamos nos auto-rodeando matando todos que chegavam perto de nós, esperando Gabriel recarregar a arma para podermos continuar com a correria. Por um segundo me distrai e um pulou em minha direção, Hoje é o dia, meu deus,quantos adaptáveis aos vírus aquele bando possuía Um tiro estraçalhou a cabeça daquele, por um segundo achei que Gabriel já estava ao seu posto novamente, porem percebi que era o Jon, com seu revolver calibre 22. Ele lutava de uma forma incrível apesar do que aparentava sua idade, Sons de tiros começaram a vir de onde o Punto se encontrava,Alceu estava com problemas.
Gabriel voltou a derrubar os zumbis com seus tiros formando um corredor macabro pra continuarmos seguindo, Olhei para Michelangelo, ele entendeu com um único olhar, enfincou o bastão de alumínio em um próximo a mim, me deixando livre para correr em meio aqueles malditos.
Corri com toda a minha velocidade, em meio ao caminho que Gabriel abria para mim, quando derrepente avistei o David, não estava mais com aquele moleton vermelho surrado, estava sem camisa e uma bermuda jeans rasgada, Ele não mudara muito desde a ultima vez que eu o havia visto,claro que ele agora parecia um cadáver,porem, continuava com varias cicatrizes no corpo e seus músculos ainda estavam bem desenvolvidos, ele me encarava, não queria mata-lo, mais era necessário, o Gabriel não conseguia destruir um amigo tão próximo, eu já tive meus desentendimentos com ele, porem considerava ele um amigo, não tando Gabriel ou o Douglas, porem ainda era um companheiro de luta, eu tenho esperança de conseguir mata-lo.
Ele me encarou e os zumbis aos nosso redor pararam de se mover e ficaram me olhando, Michelangelo soltou um suspiro de alivio,ele estava quase sendo mordido quando todos pararam de nos atacar.
David se curvou, parecia com raiva, começou a rosnar e correu em minha direção, deslizei meu pé direito para traz, posicionei o bastão de alumínio da forma correta e, quando ele estava o mais próximo de mim o possível, dei-lhe uma tacada mirando em sua cabeça com toda a força que ainda me restava, toda força que eu possuía, porem quando percebi, ele estava ereto em minha frente, segurando o bastão de alumínio com uma única mão, e ele, ele estava sorrindo? Seus dentes enormes estava a amostra, isso era possível? Um zumbi achar graça de algo? Ou, ou de alguma forma, sera que de alguma forma o David estava lá dentro ainda?
Dei-lhe um soco em seu rosto, ele nem se quer se mexeu, sem tirar o sorriso diabólico do seu rosto ele me deu um soco no meu peito,cai no chão, ele apertou o meu pescoço e me levantou com uma única mão, Michelangelo estava petrificado, Jon tremia enlouquecidamente, comecei a chutar o David, ele nem sequer se mexia.
Escutei o ronco do motor do punto vindo na nossa direção, rapidamente, Alceu estava fazendo a sua parte, estava trazendo o carro para nós podermos fugir, porem, eu não era forte o suficiente para fazer a minha, já estava quase desmaiando quando um tiro passou pela cabeça do David, estraçalhando a cabeça dele, cai no chão respirando rapidamente, tentando recuperar o folego, olhei para o Gabriel chorava na janela, ele tinha conseguido matar o David, Michelangelo me ajudou a levantar, Jon ficava olhando para os zumbis parados.
- Porque ele não atacam? – Jon disse sem entender.
- ele devem estar obedecendo a ultima ordem do seu líder, daqui a pouco eles vão nos atacar. – Michelangelo tirou as palavras da minha boca.
O punto parrou ao nosso lado, Alceu gritava para nós entrarmos, como se o grito do Alceu os tivessem acordado, todos começaram a nos atacar ao mesmo tempo, pulei em direção ao banco do carona, sentei e puxei o sinto, Michelangelo e Jon fizeram o mesmo.
Fechamos as portas e o carro começou a ser balançado, como o planejado,os que não estavam perto de nós começaram a se atacar.
-Não consigo colocar o carro para frente, são muitos, o carro não esta com força de arranque o suficiente. – Falou Alceu, desengatando e engatando novamente a primeira marcha do Fiat e pisando fundo no acelerador, o carro só se movia alguns centímetros e depois morria.
O carro começou a balançar de uma forma assustadora, eles estavam com os rostos colados no vidro, derrepente escutamos tiros vindo da delegacia, puta que pariu, o Gabriel estava com problemas.
- eu vou sair, Mike, Segure a porta com força para que nenhum deles ouse entrar, toma pegue o meu revolver, talvez a carcaça do velho aqui distraia eles o suficiente para o carro sair do lugar.
- Jon, oque você esta falando? Não,não, não, tais maluco? – Michelangelo ficou irritado.
- é a única chance de nós sobrevivermos, ele tem razão.Logo,logo eles vão quebrar os vidros do carro. – Alceu falou calmamente, como ele conseguia ser tão calmo em horas como essa? Michelangelo começou a chorar.
- Você não vai sem mim Jon.
- Mike, desde que tudo isso começou, eu me escondi atras de você, você me protegia, sempre me protegeu né? Eu fui um merda a vida inteira,fui alcoólatra até essa desgraça acontecer com o nosso mundo, Deixei minha esposa morrer, Meu filho mais novo morreu tentando me proteger, e a muito tempo que o meu filho mais velho não me chama de pai, você acha que eu mereço ficar no seu lugar Mike? Já estou velho, não vou durar mais que dois anos,deixe-me ir.
Os dois se abraçaram, lagrimas escorriam dos olhos de Michelangelo, Ele sussurou algo no ouvido de Jon, não entendi oque era.
- Prontos? - Jon falou
- Sim. – Todos nós respondemos.
Ele abriu a porta com a ajuda de Michelangelo e a minha,empurrando todos os que estavam prensados nela,Jon pulou para fora e nós puxamos a porta de volta com uma força surpreendente, foi rápido o suficiente para que nenhum dos zumbis conseguisse segurar a porta, escutamos o grito doloroso de Jon enquanto era comido vivo, agora os zumbis não lutavam pra chegar no carro, agora, ele lutavam para chegar no corpo de Jon, que eu desejava que já estivesse morto, não iria querer que ele sofresse desta forma, não importa oque ele fez no passado, ele se sacrificou para salvar seus iguais, era isso que importava.
Alceu pisou fundo no acelerador, o Punto derrapou um pouco por causa do peso dos zumbis que se encontravam encima do carro, porem em alguns segundos nós estávamos seguindo novamente para a delegacia, que estava rodeada de zumbis.
- Adeus, Papai. – Michelangelo murmurou em meio aos seus soluços provocados pelo seu choro.
Escutei uma serie de disparos vindo de dentro da delegacia, Parceiro! você me salvou, agora eu vou salva-lo.
- Mutuka, não há como ajuda-lo, morreremos tentando, deve… - abri a porta traseira e sai correndo antes do Alceu terminar sua frase.
Pulei e acertei um chute em pleno voo no rosto de algum, seu corpo caiu sobre uns outros dois,entrei pela porta da frente gritando para o Gabriel, Ele me respondeu.
- Volta! Você vai morrer irmão! Não adianta lutar! São muitos! – Ele gritava em meio aos tiros do rifle.
- Você me salvou! Eu vou te salvar! Ou morrer tentando! – Falei chutando dois, girando e acertando um soco no rosto de um.
- Esta tudo acabado, Não tenho arrependimentos! Apenas deixe-me morrer! – Ele gritava com raiva, Sabia que ele estava mantendo os zumbis na escada, se ele tivesse deixando um sequer passado da porta, ele já estaria morto.
Não falei mais nada, segui em frente, derrubando todos que estavam na minha frente e desviando de mordidas. Comecei a subir as escadas devagar, Pressionando vários na parede e derrubando todos para que os caídos derrubem os que estiverem atras de mim.
- Pare de atirar, estou chegando Gabriel, Mantenha-se somente no corpo-a-corpo agora.
Ele não respondeu, porem os tiros cessaram e ouvi batidas, ele aceitou o fato que precisava de mim, cheguei em cima e dei um chute na cara de um que estava atras de mim, o mesmo caiu e foi derrubando todos os que estavam na escada, virei e um que estava no segundo andar pulou na minha direção, um tiro do rifle atravessou sua cabeça e passou perto de mim, aponto de eu sentir o calor da bala.
- Eu deveria te matar agora, tu esqueceu que o insano do grupo sou eu? – Falou Gabriel apontando o rifle para minha cabeça. – Te mataria se não estivesse tão feliz. – Abaixou a arma e me abraçou.
- Essa foi a busca por comida mais agitada que nós tivemos. – Dissemos em uníssono,porem, eu estava assutado com tudo isso, ele, ele estava feliz,gostava de coisas assim.
Ele se virou e continuou atirando em direção a porta, matando vários em cada tiro. Olhei ao redor, devia ter alguma coisa que pudesse nos ajudar na fuga.
- Cara, pensei em usar a moto para tentar fugir, mas em pouquíssimo tempo o corredor estava lotado deles ,alem do mais, eu não consegui fazer uma ligação direta nela. – Gabriel falava com um sorriso no rosto.
- eu sei,a 3D Carbono não possui sistema de fios.quem sabe a chave dela pode estar aqui em algum lugar. – Falei, era loucura, procurar por uma chave que nós nem sabíamos se estava dentro da sala.
Comecei a abrir as gavetas, tudo que eu podia, mexi em tudo, até achar as malditas chaves penduradas em um chaveiro na parede.
Montei na Bimota, coloquei as chaves na ignição e girei, o ronco potente da terceira moto mais cara vendida em território nacional rugiu em meio aos tiros e aos grunhidos dos zumbis.
- Embarca! – gritei colocando a moto empinada na janela, Pularíamos com ela de 6 metros de altura, desde que caíssemos em pé, estaria tudo bem,sua suspenção conseguiria suportar com facilidade aquilo.
Gabriel deu mais 2 tiros e pulou na garupa da moto.eu girei o acelerador e o pneu traseiro derrapou jogando agente para frente,o fundo da moto arrastou na janela e nós pulamos de moto da janela, em pleno ar, avistei o Fiat punto parado a uns 300 metros em segurança, Alceu estava do lado de fora do carro segurando a sua cabeça. Tivemos um pouso perfeito, tive que colocar o pé no chão para que não caíssemos, logo em seguida começaram a cair zumbis da janela do segundo andar, antes do primeiro cair no chão, nós já estávamos a 60km/h desviando de todos os que apareciam na frente, Alceu olhou para nós com um sorriso, entrou no carro e saiu cavando com ele.
A sensação de dirigir aquela moto era incrível, ela respondia a todos os meus comandos e era um tanto confortável. Alceu abaixou o vidro do punto e com um sorriso no rosto falou que agora nós seguiríamos para o nosso abrigo, percebi que Michelangelo estava chorando no banco traseiro.
Seguimos para o colegio, com uma velocidade constante de 100 km/h , chegamos no colegio, e antes de eu parar a Bimota Gabriel pula dela, rolando no chão a 20 km/h.
Ele se levantou e ficou rindo sozinho, Estacionamos o Punto no lugar antigo do Camaro e a 3D carbono colocamos dentro do colégio, na recepção.
- Bem vindo ao nosso lar, caro Michelangelo, você é um de nós agora – Falei batendo oito vezes na porta para o salão principal.A porta se abriu e, chorando, a Gabriela apareceu.
A cena era terrível, havia sangue por quase toda parte, me assustei pois só conseguia ver a Jeniffer, a Amanda e a Gabriela que estava parada na minha frente.Gabriel me empurrou e entrou correndo no salão.
- Oque aconteceu? Onde esta a Kaw? Onde o Douglas está? Cade a Tayane? – Ele gritava enlouquecidamente.
- A Kawana virou de vez uma deles, tentou atacar a Amanda, porem o Douglas impediu, ele foi dar um soco na Kaw, quando a Tayane não deixou ele fazer, neste meio tempo… - Ela fez uma pausa por causa de uma batida forte no banheiro. – a Kaw atacou a própria irmã, este sangue é da Tay, a Kaw ficou mordendo a Tayane quando o Douglas chutou ela, com a força do chute, a Kaw foi jogada para o lado, arrancando grande parte do pescoço da irmã. O Douglas conseguiu de alguma forma trancar a Kaw no Banheiro masculino, Depois ele colocou a Tayane no banheiro feminino e trancou também, já que o vírus não vai deixar ela ficar morta por muito tempo.
- e…onde o Douglas esta agora? – Gabriel estava irritado.
- Não sei…Ele saiu, gritando que não iria mais ficar aqui, ele estava irritado, minutos antes da Kaw se transformar, ele e a Amanda haviam discutido. Acredito que… - Ela fez outra pausa, mas desta vez foi para controlar o choro. – eu acho que ele já deve estar morto.
Gabriel entrou em fúria, subiu correndo a rampa, eu o segui para certificar que ele não iria fazer nenhuma besteira. Ele entrou na sala do quarto ano, pegou a jaqueta de couro que Douglas havia deixado aqui,jogou no chão,chorando, Abriu a janela. E começou a berrar descontroladamente para o mundo lá fora.
- Você prometeu! Você prometeu! – Se virou para mim e se apoiou na parede, deslizando devagar o corpo até ficar sentado no chão. – Ele prometeu, ele prometeu que não iria sair,Mutuka, ele prometeu...
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